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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Não sei...

Cansei das mesmas tolices. Não quero mais parafrasear os desiludidos, não quero sentir.

Quero escrever sobre catástrofes, sobre coisas realmente grandes. Mas, se o que aparentemente pequeno me consome por completo, por que escrever sobre o que está distante de mim, além das minhas próprias tempestades? Não sei mais.

A camada de ozônio, o projeto pré-sal, a crise financeira, o desenvolvimento sustentável, a escassez de água no planeta, coisas bem mais preocupantes que poucos cuidam, mas muitos escrevem. Eu realmente não sei.

Não sei se querer estar perto das pessoas que amamos é mesmo possível. Estão todos tão longe...

Sei que minha cabeça hoje não tá legal e que um bom vinho cairia muito bem. Sei que fugir é melhor que enfrentar, e que tudo não faz nenhum sentido. Na falta do álcool, compenso com a solidão e algumas letras confusas. Pra que falar, se nem eu entendo. ¬¬' Me deixa!

Eu não sei de mais nada, só por hoje eu queria não viver, e amanhã acordar com o sol no meu rosto, com a lembrança de um sonho estranho. Mas eu não sei...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Dádiva ou perdição?


E todas as vezes ela sentia que a sua ilusória felicidade ia embora. Mas como saber se é realmente ilusão? A menina, que sempre defendeu a tese de que o amor não existe e que alegrias são tão passageiras quanto sorrisos ébrios de uma noite de sábado, agora está confusa.


O destino lhe pregou uma peça, e sem perceber ela se viu feliz, com um medo danado que essa sensação se esvaísse como a fumaça de um trago intragado, daqueles que ela tentou e não conseguiu, e aqui não falo só de cigarros, quero dizer, ninguém falou mesmo disto. Porcaria! Ela também não serviu pra isso.


E esse medo de sofrer, de onde vem? No fundo ela sabe. Mas sua razão também lhe diz que contos de fadas não acabam bem, sobretudo para aquelas que não são fadas, que não possuem castelos nem príncipes, e sequer acreditam em finais felizes... e já que não existem, ela vive cada alegria como se fosse a última, esperando um final que o seu coração teme a cada despedida, como que o objeto adorado pudesse perder-se nas esquinas da vida. E pode. Ele pode tudo, mas não deve saber.


As loucuras feitas e os pudores esquecidos pouco representam. Não há arrependimentos. E o sujeito feminino da frase encontra-se em estado de graça e agonia. Dolorosamente feliz, e irremediavelmente ferrada. Mas quem se importa? Ela, com certeza não. Ela só quer viver, seja seu amor uma dádiva ou até mesmo sua perdição.